Mauro Picini Sociedade + Saúde 01/07/2020

Pandemia do Covid-19 – tempos difíceis

Há pouco mais de um mês, era outro o mundo em que estávamos vivendo. Com o isolamento domiciliar, determinado pelas autoridades, a sensação, se representada em imagem, pode ser a de que a engrenagem que movia o mundo parou. A economia estagnou; é tempo de espera. O silêncio impera no planeta, silêncio este, ensurdecedor. O que será que está por vir?
As rotinas, que nos davam segurança, mudaram sem aviso prévio, perdemos nossos hábitos, nossas referências começaram a desaparecer. O mundo inteiro sem respostas acerca do inimigo invisível, o Novo Corona Vírus; impressão de estarmos à deriva.
Aos poucos os sofrimentos materiais, físicos e consequentemente psíquicos foram se apresentando para a população: afastamento social (distância sentida como constrangedora e assustadora), isolamento, paralisação de boa parte da atividade econômica; risco de morte iminente pelo novo corona vírus; angústia de sobrevivência imediata consequente do medo da fome, dentre tantos outros.
Nossa condição humana de desamparo, solidão, dependência e incerteza foi exposta.
Cada uma destas situações merece um olhar especial e poderia ser tema deste artigo. No entanto, decidi não priorizar nenhuma neste momento. Mas validar, nomear e até esboçar algum sentido às dores psíquicas que todos nós temos vivenciado, em decorrência das mais diversas particularidades que essa pandemia desencadeia.
Em um momento como este, pleno de incertezas e inseguranças em múltiplos aspectos de nossas vidas, além das mais diversas exigências de adaptações, as angústias são mobilizadas em todos nós. Angústias antigas, de desamparo, de medo – de medo da morte.
O medo aparece em todos os contextos: medo de falir; de deprimir; medo da separação iminente; medo de perder alguém; medo da morte; medo de não conseguir salvar vidas; medo de não ter comida em casa; de perder clientes, pacientes, alunos, emprego; medo de não conseguir se adaptar à tecnologia que está sendo imposta (home schooling, home office); medo de contaminar os mais idosos de nossas famílias… MEDO!
Esse sentimento que tanto tem nos permeado nestes últimos dias, é muito importante, pois nos dá a condição de enxergarmos a situação alarmante e planejarmos nossa ação. Porém o medo em excesso pode ser paralisante, e pelo contrário, se nenhum aparece, o risco é alto.
Neste contexto, temos aquelas pessoas que não têm medo, negam a situação, e minimizam os problemas. Para elas também está difícil, e o negar funciona como uma defesa para dar conta de tantas incertezas. Nosso cérebro não gosta de incertezas, por isso que muitas vezes negamos as realidades mais desorganizadoras do psiquismo.
Estamos vivendo uma situação que pode desencadear um trauma. O COVID 19 é um acontecimento da ordem do factual e a experiência emocional, gerada pelas mudanças em decorrência da pandemia, pode ser o trauma. O traumático se trata do questionamento das referências subjetivas, que são o alicerce da nossa identidade, da nossa noção de tempo, dos nossos sonhos e planejamentos. É como se essa pandemia pudesse interromper a noção de continuidade da vida: como se tudo congelasse ou explodisse em inúmeros pedaços.
Então, notamos que surgem os mais diversos conselhos e orientações sobre como devemos nos organizar neste momento, na tentativa de diminuir o sofrimento: façam isso, não façam aquilo, sigam esta rotina com as crianças, aquela outra com você; já os idosos podem…
Mas, em uma situação traumática, o remédio é pensar. Precisamos entrar em contato com nossos sentimentos e pensar essas situações.
 A angústia, a ansiedade e o medo, para que possam diminuir e nos dar a percepção que cabem dentro de nós e são suportáveis, precisam ser vivenciados, postos em palavras, ouvidos por quem está próximo de nós; possibilitando assim, uma elaboração (procura de sentido para uma experiência difícil). Somente a partir desta aproximação de nós mesmos, que cada indivíduo poderá inventar situações que darão mais sentido ao seu modo de vivenciar tempos tão difíceis.
Analisando por outro ângulo, paradoxalmente esta experiência é uma grande oportunidade: para acelerar os processos que já estavam em curso; para nos ajudar a repensar a vida como um todo, para estabelecermos outros tipos de relações entre nós, dentre tantas outras possibilidades. Pode-se criar diante dessas limitações que nos estão sendo impostas, e então, transformar nossa organização da vida e das relações.
No entanto, é importante ressaltar que embora a pandemia do COVID 19 seja uma oportunidade de significativas mudanças, ela não é garantia de que as mesmas ocorrerão. O trabalho, para que as tão faladas mudanças ocorram, além de necessário, é árduo. A pandemia é apenas a ocasião, isso quer dizer que podemos fazer uso dela para enxergarmos a realidade, o outro, reparar em nossas escolhas, o que nos motiva em nossas ações, entrar em contato com os nossos sentimentos, para então, ter condições de fazer algo diferente a partir dos insights e compreensões pessoais. Acredito que alguns farão proveito desta experiência da pandemia, e talvez outros, permaneçam em sua “cegueira”.
Por fim, para que possamos suportar a estranheza, a vulnerabilidade e incertezas destes tempos difíceis (no que se refere aos sofrimentos mais particulares decorrentes desta pandemia) podemos fazer uso do lema da cidade de Paris, França – “Fluctuat nec mergitur”- “flutua, mas não afunda”; “a vida tem infortúnios (como este da pandemia) podendo ser representados pelas ondas e tempestades, mas podemos atravessar esses momentos e não submergir”. Embora não saibamos quando, esses tempos difíceis terminarão e a vacina e os remédios serão o inicio deste fim. Portanto, vai passar!!!

 

15 pessoas já venceram a COVID-19 no Hospital Bom Jesus

Vilmar Rios passou os últimos 27 dias internado na HOESP/Hospital Bom Jesus, em Toledo, sendo 26 deles na UTI. Eduardo, de 56 anos, passou por algo semelhante. Desde o dia 12 de junho estava internado, passando vários dias na UTI. O diagnóstico para os dois pacientes foi o mesmo: coronavírus, uma doença que impõe diversas restrições de contato, tornando o desafio de oferecer um tratamento humanizado ainda maior.
“Cada alta hospitalar é uma grande alegria para toda a nossa equipe, trazendo mais força no combate à pandemia”, comenta a superintendente da HOESP, Zulnei Bordin. Vilmar, que foi para casa no dia 24 de junho, é a alta de número 14 de patologia COVID-19 no Hospital e Eduardo, com alta no dia 25 de junho, é o 15º paciente que conseguiu vencer o coronavírus.
Praticar o distanciamento social, usar máscara sempre que precisar sair de casa e manter as mãos higienizadas são medidas que reduzem a transmissão do vírus. É importante que a população siga as orientações dos órgãos responsáveis para que, juntos, possamos vencer o coronavírus.

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