Mauro Picini – Sociedade & Saúde – 24/01/2024

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Alergias de verão: veja o que fazer para aliviar os sintomas

Cerca de 40% da população global enfrenta problemas alérgicos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O médico infectologista compartilha orientações e cuidados para lidar com essas condições durante esta estação.
É possível que você já tenha presenciado alguém espirrando ao seu lado e, de imediato, pensou que a pessoa estivesse resfriada ou com gripe. Contudo, acabou surpreendido ao descobrir que se tratava de crises alérgicas. Algumas pessoas enfrentam problemas com poeira, ácaros e até mesmo pelos de animais, o que desencadeia sintomas como coceira no nariz, na garganta ou nos olhos, além de falta de ar.
Com a chegada do verão, há um aumento no uso de ventiladores e ar condicionado, muitas vezes sem a devida higienização, o que pode propiciar a proliferação de fungos e bolor em locais sem exposição direta ao sol. “Nesta época do ano, as variações de temperatura e umidade podem desencadear o agravamento dos quadros alérgicos, devido à baixa umidade do ar e ao uso prolongado desses equipamentos, o qual tende a ressecar o ambiente”, esclarece o médico infectologista Dr. Raphael Chalbaud Biscaia Hartmann, convidado pela Prati-Donaduzzi.

Prevenção – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% da população mundial sofre com problemas alérgicos. As alergias, em alguns casos, podem interferir nas atividades diárias, como trabalho, estudos, exercícios físicos e sono, devido aos sintomas persistentes e incômodos. Para reduzir esses efeitos, o médico Raphael orienta alguns cuidados.
“Para pacientes que lidam com alergias, minha recomendação é adotar uma dieta mais leve, incluindo frutas, verduras, consumo adequado de água ou sucos naturais, e evitarem alimentos ricos em gorduras, assim como produtos industrializados que contenham corantes artificiais. Além disso, é fundamental manter o ambiente arejado, evitando acúmulo de poeira”, aconselha o especialista.
Em situações mais críticas, as alergias respiratórias podem desencadear complicações como infecções respiratórias, como sinusite, bronquite ou até mesmo asma. É importante lembrar que cada pessoa pode ter experiências diferentes com alergias respiratórias, e o tratamento pode variar de acordo com a gravidade dos sintomas e os alérgenos específicos envolvidos. Buscar orientação médica é fundamental para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.
“Sempre que surgirem dúvidas ou se os sinais e sintomas persistirem, é essencial buscar orientação médica. Em casos de crises agudas de falta de ar, especialmente, é recomendado que o paciente busque imediatamente atendimento médico de emergência”, orienta o médico Raphael.

Seis entre dez abortos espontâneos recorrentes têm endometrite crônica como principal causa

Inflamação persistente causada por bactérias na mucosa do endométrio, a endometrite crônica está presente em até 40% dos pacientes inférteis e é responsável por mais de 60% dos casos de abortos espontâneos recorrentes e repetidas falhas de implantação. Identificação da condição e suas causas por exame molecular e tratamento adequado aumentam as chances de gravidez e nascimento de bebê saudável
A endometrite, uma inflamação do endométrio (o revestimento interno do útero) devido a uma infecção, pode ser aguda (que surge de forma repentina e é de curta duração) ou crônica (dura muito tempo ou ocorre repetidas vezes). O maior impacto está na endometrite crônica, por ser uma inflamação persistente na mucosa endometrial causada por patógenos bacterianos (bactérias que podem causar doenças em seres humanos), como Enterobacteriaceae, Enterococcus, Streptococcus, Staphylococcus, Micoplasma e Ureaplasma. Embora assintomática na maioria dos casos, a endometrite crônica é encontrada em até 40% dos pacientes inférteis e é responsável por até 66% dos casos de repetidas falhas de implantação ou abortos de repetição (1).
A boa notícia é que a endometrite tem cura quando devidamente tratada com antibióticos. Para tanto, exames prévios são necessários para se identificar o patógeno causador da infecção. O teste molecular é o mais indicado para diagnóstico de endometrite crônica. Ele permite a identificação do patógeno, a detecção de bactérias não cultiváveis e o resultado em tempo real. “O exame molecular consiste em um RT-PCR que detecta o DNA de todas as bactérias presentes na biópsia endometrial, mesmo as difíceis de serem cultivadas. É mais amplo que o exame de cultivo, que identifica apenas os patógenos endometriais cultiváveis”, explica a biomédica Virginia Regla, assessora científica da Igenomix.
A microbiologia molecular, além de poder detectar patógenos bacterianos que causam endometrite crônica, permite orientar uma terapia direcionada de acordo com o perfil bacteriano patológico encontrado. Outro exame, a histeroscopia, que identifica alterações no útero, como miomas, embora realizado também em tempo curto, não detecta bactérias, sejam elas cultiváveis ou não cultiváveis – tampouco o patógeno – e, portanto, não identifica a causa da endometrite crônica.

Vamos falar sobre endometrite – O tema endometrite ganhou visibilidade por meio do relato feito pela atriz Fernanda Paes Leme em seu instagram @fepaesleme – https://www.instagram.com/p/CzwKM3SO4QI/. No vídeo de lançamento do “Mó Grávida”, ela conta o quanto a endometrite afetou suas tentativas de engravidar, incluindo uma perda gestacional. Após o diagnóstico da condição e tratamento eficaz, Fernanda engravidou novamente, a partir de seus óvulos que haviam sido congelados. “Quando uma personalidade compartilha sua jornada como tentante, mostra para muitas mulheres o quanto elas não estão sozinhas e que há avanços na ciência que permitem diagnosticar a inflamação, conhecer as bactérias envolvidas, tratar com o antibiótico certo e ampliando assim a chance de engravidar e ter um bebê saudável em casa”, ressalta Virginia Regla.
Qualquer pessoa com útero pode contrair endometrite. É uma das infecções mais comuns após o parto. Pode começar como corioamnionite durante a gestação (sendo mais relatado seu surgimento ao final do período gestacional) e progredir para endometrite após o parto (pós-parto), sendo um pouco mais comum após cesarianas. A endometrite é comum em pessoas com doença inflamatória pélvica (DIP). Muitas bactérias diferentes podem causar DIP, e o meio de transmissão mais comum da infecção é através de sexo desprotegido (2). Embora inespecíficos (podendo ser associados com outras doenças) os sinais que podem alertar para endometrite são febre, dor pélvica, sangramento ou corrimento vaginal, constipação ou dor ao evacuar, inchaço no abdômen e mal-estar geral, mas a grande maioria dos casos ainda se mantêm assintomáticos e de difícil suspeita para diagnóstico.

Referências bibliográficas – 1 – Moreno I, Cicinelli E, Garcia-Grau I, Gonzalez-Monfort M, Bau D, Vilella F, De Ziegler D, Resta L, Valbuena D, Simon C. The diagnosis of chronic endometritis in infertile asymptomatic women: a comparative study of histology, microbial cultures, hysteroscopy, and molecular microbiology. Am J Obstet Gynecol. 2018 Jun;218(6):602.e1-602.e16.
2 – Cleveland Clinic. https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/24334-endometritis. Disponível online em 24 de novembro de 2023.
Sobre a Igenomix – A Igenomix é um laboratório de biotecnologia que ajuda no sucesso dos tratamentos de Reprodução Assistida, diagnóstico e prevenção de Doenças Genéticas parte do grupo Vitrolife. Juntamente com clínicas e médicos em todo o mundo, investiga como a medicina de precisão, por meio da genômica, pode salvar vidas. Atuante em mais de 80 países, conta com 25 laboratórios genéticos. Com quase 500 publicações científicas e seis patentes, é um importante produtor de ciência em saúde reprodutiva e genética.

Estresse também é causa de doenças autoimunes

Quando falamos em doença autoimune, partimos do princípio que o sistema imunológico está reagindo de forma descontrolada e agredindo alguma estrutura própria, ou seja, do próprio organismo.
O estresse, por alterar o cortisol, pode desregular o sistema imune e desencadear patologias. Quando estas doenças são autoimunes, a defesa vai contra o próprio organismo que é o caso do Hipotireoidismo de Hashimoto, Alopecia Areata, Psoríase, Artrite Reumatóide, Lúpus, Dermatomiosite, Esclerose Múltipla, Vitiligo, Sjogren e muitas outras.
Segundo a médica Michele Haikal, que defende a visão integral do paciente, e se dedicou à medicina integrativa após se curar de Artrite Reumatóide, Dermatomiosite e Sjogren, todas estas autoimunes do colágeno, o tratamento com suplementação personalizada, de acordo com a bioquímica de cada pessoa, junto de uma alimentação anti-inflamatória e antiestresse, como também atividades que colaboram para uma vida mais saudável e tranquila, e ainda a gestão de stress, são partes muito importantes do tratamento para se ter resultados positivos.
As doenças autoimunes podem surgir após circunstâncias estressantes, podendo ser traumas ou não, mas que colocam o organismo numa sensação de perigo ou ameaça, o que desencadeia uma reação na estrutura física chamada de sistema de “luta ou fuga”. “Em situações causadas por estresse, o nosso corpo libera uma série de substâncias como o cortisol. Este hormônio, quando em desequilíbrio, pode desencadear inflamações, elevação nos níveis de açúcar, além de mexer com a pressão arterial, e desregular a imunidade, abrindo portas para diversas moléstias”, comenta a médica.
Por conta de suas pesquisas e estudos de caso, a doutora sugere que o tratamento para tais enfermidades inclua não só medicação, mas também alimentação correta, suplementação adequada, e também exercícios para a mente e para o corpo. Esta suplementação deve ser personalizada, pois cada organismo é único.
“O estresse é preocupante e atinge cerca de 90% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. Por isso, é preciso ter um olhar integral do paciente e ficar atento a todos os sinais do organismo que se mostram junto dele”, finaliza a médica.

Michele Haikal

Sobre Michele Haikal
Médica há 20 anos, é palestrante no Congresso da Associação Brasileira de Medicina Estética e em diversas conferências da área, onde defende a visão integral do paciente, com foco no bem-estar geral, hábitos de vida, autoestima e saúde integral, com rejuvenescimento por inteiro, inclusive na saúde da mente.
É pós-graduada em dermatologia, área em que fez atualização em Harvard e possui mestrado internacional em Doenças Autoimunes do Colágeno, pela Universidade do Porto em Portugal.

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