Contos e Contas: projeto ensina educação financeira para crianças

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Educação financeira para crianças fortalece o bolso e contribui para uma administração inteligente e consciente ao longo da vida. Nem sempre os pequenos compreendem de onde vem o dinheiro e, despertar essa consciência, é um aprendizado que pode e deve começar desde cedo. Com esse propósito, o projeto Contos e Contas percorre escolas levando aos alunos noções básicas sobre o que é o dinheiro, sua origem e como administrá-lo de forma adequada.

ECONOLINDA – ‘Quem tem cofrinho em casa?’ é uma das primeiras perguntas feitas em sala de aula, usada como estratégia para provocar a curiosidade das crianças. Para criar vínculo e tornar o aprendizado mais próximo da realidade infantil, surge a personagem doutora Econolinda, interpretada pela educadora financeira Márcia Bedin. “Quando começamos a pensar no projeto para crianças, decidimos que teria que ter uma personagem para gerar contato e conexão, para fazer algo diferente. Pensamos na doutora Econolinda, uma doutora que cuida da mente, do coração e do bolso”, conta Márcia.

Vestida com jaleco branco e com um estetoscópio em volta do pescoço, a primeira impressão das crianças é de que o assunto será sobre vacinas ou saúde. No entanto, ao longo da atividade, elas percebem que o tema é outro. Neste momento lúdico, a personagem narra a história de um menino que retirou todo o dinheiro do cofrinho para ir ao mercado, deixando o porquinho ‘magrelo’. É aí então que Econolinda aparece para ensinar a receita necessária para que o cofre volte a ‘engordar’.

A atividade envolve música, dança, desenho e pintura. Durante a dinâmica, as crianças ajudam a criar uma ‘receita’ com os ingredientes necessários para juntar dinheiro. Entre eles está a paciência, essencial para economizar e esperar o momento certo de comprar algo desejado.

CARTILHA – O aprendizado é reforçado pela cartilha aplicada em sala de aula. A pedagoga Cris Louize dos Santos Von Muhlen, idealizadora do projeto ao lado de Márcia, destaca a importância do material. “Comentamos quem são os apoiadores que nos auxiliaram para fazer o projeto acontecer, pois tem um custo para ir até as escolas, como a impressão do material. Então vamos apresentando e fazendo as atividades juntos”, explica. Ela complementa que “eles escrevem, desenham e pintam, sem que fique maçante para eles. Nossa cartilha é bem lúdica e eles adoram fazer. Eles fazem brincando algo que é sério”.

Ao abordar o ensino de finanças na infância, Márcia ressalta que o aprendizado pode começar cedo. “A partir dos três anos a criança está entendendo e conversando, então pode começar a ser ensinada com essas pequenas coisas”. Segundo ela, situações simples do dia a dia já ajudam a formar essa consciência, como observar a falta de sabonete ou de creme dental no banheiro. Já para os maiores, ela pontua que “eles podem olhar para o balcão ou para a despensa e saber o que precisa comprar. ‘Faz a lista pra mim? Vamos ao mercado, vamos ver o preço? Você calcula pra mim?’. Aí a criança vai entendendo que tem um custo, que aquilo vai gerar um desembolso que alguém teve que trabalhar para poder pagar”.

Além de ensinar o valor do dinheiro, a educadora financeira destaca outras formas de aprendizado. “Os brinquedos que as crianças têm, que estão em boas condições e que podem ser doados, também fazem parte da educação financeira. Ela vai muito além da matemática, não é só uma conta que precisa fechar”.

MESADA – Ao falar sobre mesada, Márcia faz um alerta. “Orientamos a não trocar por serviço doméstico, pois ele faz parte da contribuição familiar. Se eu recompensar por lavar uma louça ou por arrumar a cama, estou tirando a minha autoridade de pai e mãe, estou colocando a autoridade no dinheiro. Ele não vai obedecer e fazer porque ele entende que ele precisa contribuir de alguma forma em casa, ele vai fazer pelo dinheiro”.

Cris Louize chama a atenção para os pais que desejam oferecer aos filhos tudo aquilo que não tiveram. “Mas a que custo para a criança? Você pode dar o que você não teve, você pode proporcionar tudo o que não podia, mas você tem que explicar para ele de onde saiu aquele dinheiro, para despertar consciência”.

GUARDAR DINHEIRO – O ditado ‘montinho, montinho e montão’ também é utilizado para ensinar a importância de guardar dinheiro. “Eles precisam entender que quando recebem uma quantidade de dinheiro, precisam separar um pouco para o sonho e o restante pode ser usado para o que é essencial. O primeiro passo é a compreensão e a separação entre necessidade e desejo. A criança precisa começar a ter a sensação de recompensa. Não dá pra trabalhar um longo prazo e falar pra ela do carro que ela pode comprar aos 18 anos. As vezes dá até pra falar que se guardar um pouquinho no banco, ele pode ir multiplicando. Mas é um trabalho que os pais também precisam fazer em casa, pois é uma questão de vivência diária”.

EBOOK – Além da cartilha voltada para as crianças, o projeto oferece um livro digital exclusivo para os pais, com o objetivo de consolidar a educação financeira por meio da participação familiar. “Esse ebook é um guia prático, com linguagem simples, que ajuda os pais a entenderem a importância de falar sobre dinheiro desde cedo e mostra, de forma acessível, como aplicar esses conceitos no dia a dia da família. Ele traz orientações, atividades e propostas de conversas que reforçam o que as crianças aprendem nas atividades do projeto”, explica a educadora financeira.

Para acessar o ebook, os pais podem contribuir com algum valor para apoiar o projeto. “Com ele, ajudamos os pais a melhorar o próprio relacionamento com o dinheiro e a transformarem a vida dos filhos. Ajuda a criança a fixar os conceitos por meio da prática: conversar sobre escolhas, diferenciar desejo e necessidade, aprender a poupar e entender o valor do dinheiro de forma saudável. Assim, o aprendizado não fica restrito à sala de aula, mas passa a fazer parte da rotina da criança e da família”, conclui Márcia.

CONVERSA OESTE – Cris Louize e Márcia Bedin, idealizadoras do projeto Contos e Contas, compartilharam informações sobre educação financeira no podcast Conversa Oeste, apresentado por Joana Magnabosco. A entrevista está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=NC3mHjqf1KY&t=2191s

Da Redação

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