Secretário da Cultura Gabriel Furlan compartilha projeções para 2026
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Consolidada como uma das principais referências culturais do Paraná, Toledo mantém um calendário diverso e plural, que valoriza artistas locais e amplia o acesso da população às mais diferentes manifestações culturais. Teatros, corais, grupos de dança, shows e festivais movimentam a cena cultural do município ao longo do ano. Em entrevista ao podcast Conversa Oeste, apresentado pela jornalista Joana Magnabosco, o secretário municipal da Cultura, Gabriel Furlan, detalha as projeções, prioridades e novidades da área cultural para 2026.
PATROCÍNIOS – Ao avaliar e definir 2025 em uma palavra, o secretário relata que foi um ano de aprendizado, enquanto 2026 estima que seja um ano de inovação. Após o período do ano anterior, o secretário define que “estamos no estágio final para ter o nosso decreto de patrocínio. Toledo tem 73 anos e não é claro como que alguém da iniciativa privada pode patrocinar um evento nosso. São pequenas coisas, ideias que parecem simples, mas que ainda não existem e podem fazer a diferença daqui para frente.
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Além de trabalhar com a modernização dos processos de permitir que os empresários possam investir em patrocínios dos eventos promovidos pela prefeitura, Gabriel afirma que “analisamos mudar nossa forma de chamamento, então viemos fazendo um estudo, conversando com a procuradoria, com o próprio pessoal da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, para trabalhar junto e em parceria para ver como podemos facilitar a contratação de artistas e tornar ela mais ágil.
ARTISTAS LOCAIS – O secretário relata a importância de agilizar processos ao contratar artistas locais. “Estamos pensando em como podemos fazer um chamamento, com registro de preço desses artistas para que eles fiquem cadastrados e a gente possa contratar eles de uma forma mais simples, além de incluir duplas nos chamamentos. Talvez, a maior parte do pessoal que vive de arte nos bares e restaurantes sejam duplas ou até mesmo artistas solos, os quais não eram inclusos antes em nossos chamamentos”, ressalta.
SELEÇÃO – Escolher artistas para participarem dos eventos municipais exige um filtro. Dentre eles, o secretário informa que “procuramos não pegar artistas que tenham uma pegada política muito forte ou polêmica, que não falem palavrão ou que façam apologia às drogas. Cada tópico desses que eu fui falando reduz o nosso universo de artistas”.
“Já estamos com alguns nomes para a Virada Cultural e para a Semana Farroupilha. A Farroupilha é uma dificuldade muito grande, porque é uma data no Brasil inteiro. Então, as bandas, às vezes com um ano e meio já estão com as agendas fechadas, mas a gente já veio com uma antecedência maior do que no ano passado, para tentar sanar esses problemas”, salienta.
PARCERIAS – Dentre algumas mudanças a serem realizadas, Gabriel exemplifica a própria Virada Cultural, na qual a estrutura é montada em um final de semana, na sequência desmonta e, no outro final de semana tem o aniversário da cidade com as tendas e elas são montadas novamente. Portanto, o secretário visa otimizar esse tipo de contratação entre as secretarias que promovem eventos como este”.
A parceria entre as secretarias se faz presente. Em relação à pasta de Assistência Social, sob responsabilidade da secretária Simone Ferrari, Gabriel afirma que há uma cooperação para que os profissionais da Casa da Cultura possam atender os idosos do município.
ANO ELEITORAL – “O período eleitoral, é um ano difícil de conseguir emendas parlamentares. Estamos buscando alternativas para captar recursos, como patrocínios e com a Secretaria do Turismo. Protocolamos estruturas para nossos eventos também, como forma de poder investir mais no artista local ou em contratações”, menciona.
O secretário também explica que, por ser um ano eleitoral, a pasta da Cultura também é parcialmente afetada. Há restrições como o uso de logotipos do governo estadual e federal nas comunicações, além da dificuldade de obter recursos. “Muitas vezes o Ministério Público pode enxergar isso como pré-campanha de político devido a interesse em algum candidato. É um ano um pouco mais complicado para a gestão essa questão das movimentações dos recursos estaduais e federais”.
REFORMA – Há previsão de reformas em breve no Centro Cultural da Vila Pioneira. “O Centro Cultural Ondy Hélio Niederauer é importantíssimo para a nossa cidade. Ele vem entrando no terceiro ano com o auditório interditado. Lá, sempre tiveram diversas utilizações da população local. No ano passado, conseguimos ir atrás disso com ajuda de muitas mãos”, informa o secretário. Ele ainda complementa que “esse recurso veio pelo Paraná Mais Cidades, projeto que já está aprovado e em tramitação. Acreditamos que entre maio e junto iniciaremos as obras”.
A reforma do auditório engloba a troca de telhado, do sistema de climatização, além do hall, das salas multiuso e a biblioteca. “Será uma obra de quase R$ 1,7 milhões, onde a gente vai resolver o problema de alagamento no Ondy Niederauer. A água desce da rua, entra no auditório que está defasado, além da questão de segurança que está afetada, como a porta de emergência que também precisa de revitalização. Daremos um ‘banho de loja’ e nosso objetivo é se basear na qualidade da Biblioteca Pública do centro”.
PNAB – É previsto para 2026 a retomada da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), onde artistas do município recebem repasse federal para a realização de projetos. “Imaginamos que muito em breve estaremos realizando a abertura dos editais, penso que seja nos próximos dois meses. Nas últimas reuniões do Conselho Municipal de Política Cultural de Toledo (CMPC) se definiram normas para os próximos dois repasses. Então quando tudo estiver alinhado estaremos qualificando e muito em breve iniciaremos a abertura dos editais. Tivemos pequenas mudanças votadas para que o edital seja fechado de vez, mas o recurso está garantido para esse ano”.
NOVIDADES – Quanto as novidades para 2026, o secretário informa a retomada do Festival de Teatro e o Encontro de Corais. Além disso, está em análise a distribuição de verbas entre as classes artísticas. Para esta abrangência, ele informa que “temos o Festival de Dança, a Virada Cultural, o projeto Teatro nas Escolas e assim distribuímos as verbas e formas de auxílio para que ninguém fique de fora e para que continue sendo fomentado na cidade”.
OUTROS PROJETOS – Além dos eventos maiores realizados em Toledo, também há projetos como os cursos oferecidos na Casa da Cultura, onde é realizado o projeto Música nas Escolas. “Este é um projeto onde professos da Casa da Cultura visitam a rede municipal ensinando o que são os instrumentos, o que são os ritmos e vão fantasiados de animais”.
Inclusive, também é realizada a inciativa Amigo da Canção, o qual é voltado para idosos, enquanto o projeto Som na Caixa é focado nos jovens. Já os adolescentes da Casa da Cultura tocam em festivais e lugares como a Unioeste, além das escolas e da abertura dos Jogos Escolares. Somente em 2025 a banda atingiu um público de 10 mil pessoas, onde ganhou o reconhecimento em prêmio de melhor banda em concurso da própria Unioeste.
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VALORIZAÇÃO DE ARTISTAS – Um ponto ressaltado pelo secretário é a valorização da classe artística de Toledo. “Os artistas do município são a nossa perna na Secretaria. Eles participam de grande parte dos nossos eventos e shows. Eu vejo que é uma missão muito grande lutar para continuar mantendo os nossos espaços. A gente sabe que em Toledo ainda não temos um ecossistema tão bem formado para a classe artística”.
Apesar das adversidades, o secretário afirma que Toledo continua sendo referência em cultura com tantos eventos realizados, com o objetivo de manter a representatividade. “Procuramos e iremos continuar procurando atender a todas as classes artísticas, sempre respeitando os princípios da isonomia para tentar dar oportunidades iguais a todos. Esse ano o objetivo é manter e quiçá dar passos a mais em direção ao nosso crescimento”, conclui.
Da Redação
TOLEDO