Polvos de crochê levam conforto e segurança aos bebês internados na UTI Neonatal

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Entre fios coloridos e pequenos tentáculos, o cuidado ganha forma dentro das incubadoras de cuidados intermediários da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal da Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp) / Hospital Bom Jesus. Polvos de crochê, doados pela comunidade, tornam-se aliados no acolhimento de bebês recém nascidos prematuros internados, contribuindo para para o bem-estar físico, sensorial e emocional. A iniciativa, além de mobilizar a solidariedade, evidencia como gestos simples podem fazer diferença nos primeiros dias de vida e ao longo de todo o internamento.

A indicação do uso dos polvos, sob avaliação da equipe de saúde, é direcionada a bebês que apresentam agitação motora, instabilidade comportamental ou dificuldade de autorregulação, especialmente em situações de choro e sono. A coordenadora de enfermagem da UTI Neonatal, Lilia Regina Mariano, acrescenta que os polvinhos também são recomendados para recém-nascidos que utilizam dispositivos invasivos, como cateteres e sondas, já que os tentáculos ocupam as mãos dos bebês e reduzem a chance de que puxem esses equipamentos.

POLVO TERAPEUTICO – São três níveis principais em que o polvo terapêutico beneficia o pequeno paciente: sensorial, físico e emocional. A memória intrauterina remete ao cordão umbilical, em que o feto segura enquanto está no útero, promovendo assim sensação de proteção, redução de estresse e menor liberação de cortisol, o conhecido hormônio do estresse.

Quanto ao nível físico, favorece a flexão fisiológica. Lilia pontua que “estimula a contenção postural, reduz movimentos desorganizados e diminui retirada de sondas, catéteres e o aparelho de Pressão Positiva Contínua nas Vias Aérea (CPAP), promovendo melhora na organização motora e respiratória”. No quesito emocional, favorece a autorregulação, diminui o choro silencioso e os sinais de estresse, bem como promove o conforto na ausência dos pais e facilita estados de sono tranquilo, conforme pontua a coordenadora de enfermagem.

Dentre outros benefícios que se destacam, está a menor frequência de dessaturações, redução da agitação, melhor estabilidade hemodinâmica e maior conforto durante procedimentos como punções, coleta de exames e outros, declara Lilia.

REGRAS – Para garantir o conforto e a segurança dos bebês, os polvos passam por critérios rigorosos de seleção. O tamanho é padronizado: a cabeça deve medir entre 7 e 10 centímetros de comprimento e, com os tentáculos, o brinquedo não pode ultrapassar 20 centímetros. Os fios utilizados precisam ser 100% algodão, pois os materiais sintéticos podem causar irritações na pele sensível dos recém-nascidos e, recomendam-se cores suaves e alegres.

Quanto aos pontos do crochê, a coordenadora explica que devem ser firmes e bem fechados, evitando que o enchimento siliconado e antialérgico escape pelos orifícios. Ela também destaca que os olhos não podem ser de plástico, devendo ser bordados com linha fina, medida essencial para prevenir riscos de aspiração.

PROCESSSOS – A esterilização é um fator essencial para a saúde dos recém-nascidos e, por isso, todos os polvos passam por um rigoroso processo antes de chegarem à UTI Neonatal. As peças são encaminhadas à lavanderia hospitalar e submetidas à esterilização adequada. “Eles retornam esterilizados em papel grau, em autoclave, em temperatura ideal para eliminar micro-organismos resistentes”, declara Lilia. O cuidado, no entanto, vai além da higienização. “Antes da implantação dos polvinhos em nossa UTI, foram elaborados documentos com todas as etapas, testes de segurança e aprovação pelo Setor de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do próprio hospital”.

A entrega das doações pode ser realizada na recepção do Hoesp ou até mesmo na UTI Neonatal, em campanha recorrente. Ao receber alta, os bebês levam consigo o polvinho para casa.

Da Redação

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