Ano novo, novas metas: psicóloga orienta como manter os objetivos em foco

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O início do ano costuma trazer páginas em branco no calendário e na mente: metas são traçadas, planos elaborados e esperanças renovadas. Porém, é comum que, com o passar do tempo, esses objetivos percam o foco. Emagrecer, economizar, adotar um estilo de vida mais saudável ou qualquer mudança significativa desafia, sobretudo, o comportamento e o cérebro.

O cérebro humano é programado para seguir padrões automáticos e consolidados, buscando eficiência energética e respostas rápidas de recompensa. É aí que surge a autossabotagem, explica a psicóloga Simone Fidelis. “A autossabotagem costuma surgir quando a mudança ameaça a sensação de previsibilidade ou segurança, ativando respostas de evitação, procrastinação ou desvalorização do próprio esforço. Não se trata de falta de força de vontade, mas de um cérebro tentando manter estabilidade”.

MUDANÇA GRADUAL – Para a especialista, não basta definir quais hábitos a pessoa quer adotar. É preciso compreender como é o próprio aprendizado e consolidar mudanças de forma gradual. “Pequenas mudanças tendem a ser mais eficazes porque respeitam a forma como o cérebro aprende. A construção de novos hábitos ocorre por meio de repetição consistente, e não de esforços intensos e breves. Grandes resoluções costumam gerar sobrecarga, frustração e abandono precoce. Mudanças graduais facilitam a consolidação neural e aumentam a percepção de competência, elemento fundamental para a manutenção do comportamento”, ressalta.

CONSISTÊNCIA – O contexto e o planejamento detalhado também fazem diferença. Associar o novo hábito à rotina existente e acompanhar o progresso de forma objetiva são estratégias que aumentam a chance de sucesso. “Monitorar o progresso de forma objetiva a trabalhar a autocompaixão são estratégias fundamentais. Do ponto de vista psicológico, consistência é mais importante do que intensidade. Além disso, compreender o próprio funcionamento emocional ajuda a reduzir abandonos impulsivos”, explica Simone.

Lidar com recaídas não é sinal de fracasso. No ritmo acelerado da vida moderna, ansiedade e perfeccionismo podem sabotar planos. “A chave está em criar expectativas alcançáveis. Planos inflexíveis costumam se romper, enquanto estratégias adaptáveis permitem ajustes sem que a sensação de derrota se instale. Conhecer os próprios gatilhos, dosar o ritmo e abandonar a ideia de que tudo precisa ser perfeito são passos essenciais para seguir em frente de forma consistente”, orienta a psicóloga.

Quando padrões de tentativas e fracassos se repetem, ou surgem sinais de desânimo e ansiedade, buscar acompanhamento profissional é um caminho recomendado. “O acompanhamento psicológico permite compreender os bloqueios, ajustar estratégias ao perfil individual e construir mudanças sustentáveis, baseadas em ciência e não apenas em motivação momentânea”, conclui Simone.

Da Redação

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