Distúrbios do sono afetam a saúde e a qualidade de vida, alerta especialista

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Dormir bem vai muito além de descansar o corpo. O sono é um processo essencial para o equilíbrio do organismo e, quando comprometido, pode desencadear uma série de prejuízos físicos, emocionais e mentais. Segundo o otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono, doutor Demétrio de Almeida, os distúrbios do sono são multifatoriais.

Um problema comum são os transtornos de insônia, que envolvem dificuldade para iniciar o sono, para mantê-lo ou despertar antes do horário desejado. “As causas que desencadeiam a insônia são múltiplas, as quais alteram a liberação dos neurotransmissores que regulam o sono e a vigília”, pontua. Alterações do ciclo circadiano, o chamado relógio biológico, e situações sistêmicas, como dor crônica, gravidez, necessidade frequente de urinar à noite e trabalho em turnos, também interferem diretamente na qualidade do sono.

QUALIDADE DE VIDA – Dormir mal não afeta apenas o humor ou a disposição. Segundo o especialista, o funcionamento do corpo segue ciclos bem definidos. “Se existe privação de sono em quantidade ou qualidade, o corpo e, em especial o cérebro, passam a funcionar com prejuízo”, alerta. O sono adequado é essencial para regular hormônios, memória, concentração e o equilíbrio geral do organismo.

HIGIENTE DO SONO – O médico ressalta a importância da chamada higiene do sono, um conjunto de hábitos que contribuem para um descanso reparador. Entre as principais orientações estão manter o quarto com boas condições de luminosidade, temperatura e silêncio, estabelecer horários regulares para dormir e acordar, além de utilizar o quarto apenas para dormir.

Outra recomendação é “ir para a cama somente quando estiver com sono e, se por acaso estando deitado o sono desaparecer, é indicado levantar e ir para outro local da casa com pouca luminosidade”, orienta. Ele também recomenda evitar o uso de televisão no quarto, não ficar controlando o horário no relógio, manter alimentação leve à noite, evitar cafeína, álcool, excesso de líquidos e cochilos durante o dia.

USO DE TELAS – O uso excessivo de celulares, computadores e televisões antes de dormir é outro fator determinante para noites mal dormidas. De acordo com doutor Demétrio, o problema está na interferência direta na produção da melatonina, hormônio responsável por induzir o sono. “Para iniciar o processo do sono, o corpo começa a produzir um hormônio chamado melatonina, que irá sinalizar para os órgãos que está na hora de dormir. O espectro azul da luz dos celulares e computadores inibe a formação da melatonina”, afirma. Por isso, a recomendação é clara, sendo que “o ideal é evitar telas pelo menos três horas antes de dormir”, sugere.

CAUTELA COM MEDICAMENTOS – O uso de remédios para dormir deve ser sempre criterioso. “Devemos identificar o que está causando alteração do sono e tentar eliminar”, enfatiza. Embora em alguns casos a medicação seja necessária, o ideal é que seja utilizada pelo menor tempo possível, evitando dependência e aumento progressivo das doses.

O médico chama atenção para uma situação comum, da qual “muitas vezes os pacientes têm apneia do sono e, como consequência, não conseguem dormir bem. Então, os profissionais dão remédios para dormir, que além de não funcionar, pioram o quadro de apneia”.

APNEIA – Entre as causas, o médico destaca a apneia do sono, caracterizada pela obstrução da respiração durante o período de descanso. “Podemos citar as causas que interferem no fluxo de ar para o pulmão, sendo que a apneia do sono é uma obstrução da respiração na faringe durante o sono”, explica.

A apneia do sono ocorre quando há obstrução parcial ou total da passagem de ar durante o sono. “Isso ocorre principalmente por alterações anatômicas, obesidade e flacidez da musculatura”, relata. Quando a respiração para, o cérebro reage, provocando aumento da frequência cardíaca, superficialização do sono e despertares frequentes.

O tratamento depende da causa e pode envolver perda de peso e outras abordagens médicas. “Na grande maioria dos casos é possível voltar a uma normalidade, porém nem sempre se consegue uma eliminação total da apneia”, afirma o especialista, ressaltando que até cinco episódios de apneia por hora, sem alterações sistêmicas, são considerados dentro da normalidade.

POLISSONOGRAFIA – Para diagnosticar distúrbios do sono, o exame indicado é a polissonografia. “Esse exame avalia múltiplos sinais orgânicos que permitem mensurar as condições do sono”, comenta. Entre os parâmetros analisados estão a atividade cerebral, frequência cardíaca, respiração, oxigenação do sangue, movimentos musculares e até roncos. O exame pode ser realizado em laboratórios do sono, com acompanhamento profissional, ou por meio de dispositivos portáteis.

Da Redação

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