Biopark Educação e Embrapa iniciam pesquisa para expandir a piscicultura no Paraná

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O Paraná é líder na em produção de peixe de cultivo no Brasil. Em 2022, o estado produziu mais de 194 mil toneladas. O Paraná ainda é destaque como o maior produtor de tilápia do país, com volume total de mais de 34%, o que faz com que, sozinho, o estado represente 22,5% de toda a produção nacional da espécie. E, por falar em números, a cadeia da produção de peixes cultivados no Brasil gerou uma receita de cerca de R$ 9 bilhões, em 2022.

Porém, a liderança disparada coloca os paranaenses também em uma posição de referência. Visto que os sistemas produtivos com modelos integrados como agroindústria ou como cooperativa podem ser adotados em outras localidades, com as devidas adequações, para expandir a piscicultura a nível nacional.

E é sabendo disso que o Biopark Educação junto a Embrapa Pesca e Aquicultura, realizaram a “I Oficina Participativa com vista ao Ordenamento Territorial da Piscicultura do Estado do Paraná”. A Oficina é parte do primeiro projeto realizado pela Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (UMIPI) do Oeste Paranaense e tem como finalidade a realização de um diagnóstico ambiental e socioeconômico da piscicultura no estado do Paraná.

Para isso, as instituições convidaram representantes dos principais elos da cadeia produtiva, desde produtores; cooperativas; representantes comerciais; fornecedores de insumos; pesquisadores da Embrapa, do Instituto Federal do Paraná, da Unioeste, entre outros. O objetivo da Oficina foi reunir especialistas para discutirem a parametrização de variáveis ambientais, socioeconômicas, agrícolas e de infraestrutura que possam subsidiar o planejamento, as tomadas de decisão e a formulação de políticas públicas de ordenamento territorial da atividade aquícola no Paraná.

De acordo com a gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark Educação, Carolina Trombini, a oficina visa trazer ao primeiro projeto da UMIPI Oeste Paranaense a visão de quem vivencia diariamente os desafios da piscicultura. “As variáveis consideradas importantes por esse grupo, serão objeto de pesquisa e correlacionadas com o desempenho da atividade, para a elaboração de um documento técnico que norteará os fatores de impacto para o ordenamento territorial da piscicultura no Paraná.”, comenta.

IMPORTÂNCIA DA PISCICULTURA NO BRASIL – Segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), a cadeia da produção de peixes cultivados no Brasil atingiu, em 2022, 860.355 toneladas – gerando uma receita de cerca de R$ 9 bilhões.

Além disso, a piscicultura gera cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos. Por isso, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, espécie que representa 64% da produção do país. Nos últimos anos (segundo levantamento da Peixe BR), a produção de peixes saltou 48,6% no país: de 578.800 t (2014) a 860.355 t (2022).

OBJETIVO – De acordo com a Chefe Geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Danielle de Bem Luiz, a crescente demanda pela proteína animal, impulsiona a busca por soluções sustentáveis na produção. “O papel da Embrapa é ofertar soluções para a cadeia do pescado que impulsionam a eficiência produtiva, a segurança alimentar e a sustentabilidade nos seus três pilares econômico, social e ambiental.”, exemplifica.

Na mesma perspectiva, a Analista de Geoprocessamento e sensoriamento remoto da Embrapa Marta Ummus ressalta que aumentando a produção, aumenta-se também a pressão pelos recursos naturais. “É importante realizar um planejamento cuidadoso para que a piscicultura possa se expandir de maneira sustentável, ganhar cada vez mais mercados internacionais e obter certificações ambientais e rastreabilidade.”, afirma Marta.

Vale ressaltar que a Oficina marcou o início de um projeto que visa realizar um sistema inédito no Brasil. Para o pesquisador de pós-doutorado da Unioeste, selecionado por meio do edital da Fundação Araucária em parceria com Biopark Educação, Bruno Aparecido da Silva, não há no estado outra linha de pesquisa que vise expandir a psicultura, ainda mais de forma sustentável. “O projeto é um trabalho pioneiro que tem a possibilidade de trazer resultados muito importantes, tais como subsidiar políticas públicas voltadas para a expansão da atividade da produção de tilápias a nível estadual.”, afirma Bruno.

De mesmo modo, a pesquisadora da Embrapa enfatiza que existem muitos zoneamentos de áreas marinhas, no entanto, há muito poucas referências sobre ordenamentos para a piscicultura continental em viveiros escavados. “Com o Ordenamento, as decisões poderão ser tomadas de forma mais assertiva, assegurando o uso racional de recursos naturais, aumentando a produtividade e a viabilidade econômica de empreendimentos aquícolas.”, destaca Marta.

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