Caps i oferece atenção especializada para a saúde mental de crianças

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A saúde mental chama a atenção e é um tema que vai além do universo adulto. Na infância, fase decisiva para a formação emocional, o cuidado com a saúde psíquica é essencial. Educar crianças com acolhimento, escuta ativa e vínculos seguros contribui diretamente para o desenvolvimento de indivíduos mais equilibrados e emocionalmente saudáveis no futuro. Em Toledo, o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps i) realiza atendimento para crianças com transtornos severos e persistentes para auxiliá-las em seu desenvolvimento.

OMS – Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos mentais estão entre as principais causas de doenças e incapacidades na infância e na adolescência, incluindo condições como depressão, ansiedade, transtornos comportamentais, epilepsia infantil e deficiências no desenvolvimento. Segundo a entidade, cerca de 8% das crianças e 15% dos adolescentes em todo o mundo convivem com algum transtorno mental, embora a maioria não procure ajuda ou não receba tratamento adequado.

A OMS alerta que a negligência com a saúde mental e o desenvolvimento psicossocial nessa fase da vida gera impactos duradouros. “As consequências de não se dar a devida atenção à saúde mental e ao desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes se estendem à vida adulta e limitam as oportunidades de levar uma vida plena”, destaca a organização.

Entre os cuidados com as crianças, está o acolhimento no lar destas famílias. A psicóloga e coordenadora de Saúde Mental do município de Toledo, Kelin Fuhr, ressalta que “temos que nos atentar a como ela está introduzida dentro desta família. Observar se ela tem limites, se ela é ouvida e respeitada. Quando pensamos em saúde mental de uma criança, temos que proporcionar um ambiente em que ela se desenvolva. É importante que os pais consigam ter uma rotina segura e bem definida para essa criança, para que ela tenha um espaço de fala em que possa ser ouvida”.

COMPORTAMENTOS – Ao abordar a saúde mental infantil, a psicóloga e coordenadora do Caps i, Eduarda Estercio, ressalta a importância de uma avaliação integral da criança, que leve em conta o contexto social e familiar, assim como os diferentes ambientes e relações dos quais ela faz parte. De acordo com a profissional, a observação de mudanças recentes de comportamento e de possíveis situações de conflito ou disfunção é essencial para compreender o que está por trás dessas manifestações.

ENCAMINHAMENTO – O Caps i integra a rede de serviços da Secretaria de Saúde, atendendo crianças a partir dos três anos até adolescentes de 18 anos. Segundo Kelin, o primeiro passo para receber o atendimento é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do território mais próximo da residência. Na UBS, a equipe realiza uma avaliação ampla, considerando a saúde mental de forma integral, e emite um documento que define o ponto de cuidado adequado.

Os casos de baixo risco são acompanhados na própria UBS, que conta com profissionais capacitados. Para situações de risco médio, a criança ou adolescente é encaminhado ao ambulatório de saúde mental, onde psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais realizam o acompanhamento. Já os casos de alto risco, envolvendo transtornos mais severos e persistentes, são direcionados ao Caps i.

ATENDIMENTO PERSONALIZADO – Ao chegar no Caps i, é realizado um levantamento das demandas desta criança. “A partir disso, em equipe, é construído um Projeto Terapêutico Singular (PTS). Nele, são definidas todas as questões que aquele paciente estará desenvolvendo dentro do serviço. Temos terapia ocupacional, psicólogo, psiquiatra, médico clínico, além do serviço social. Também temos assistentes em desenvolvimento social que fazem oficinas. Há uma série de atividades em que essa criança estará inserida”, pontua Kelin.

OFICINAS – O Caps i oferece oficinas de artesanato, como pintura em MDF, que vão muito além da produção de peças artísticas. Esses espaços têm como objetivo principal o desenvolvimento integral do paciente, promovendo socialização, interação e acolhimento em um ambiente seguro e estruturado. As oficinas acontecem semanalmente, garantindo um acompanhamento contínuo e o contato humano, especialmente importante em situações em que o atendimento médico pode levar mais de 40 dias para ocorrer.

FAMÍLIA – O cuidado com a saúde mental infantil passa pelo olhar atento à família, garantindo que pais ou responsáveis estejam emocionalmente preparados para oferecer o suporte necessário ao desenvolvimento da criança. De acordo com a equipe, ao analisar o contexto familiar e social, é possível identificar sinais de sofrimento psíquico também dos cuidadores. Nesses casos, conforme explica Eduarda, são realizados encaminhamentos para outros serviços da rede.

“Quando levantamos todas as informações relacionadas ao contexto familiar e social e identificamos sofrimento do responsável ou do genitor, realizamos o encaminhamento para que essa pessoa inicie o atendimento. Se for um paciente com perfil para o Caps 2, já entramos em contato com a coordenação da unidade para incluí-lo na fila de espera”, detalha Eduarda.

Além do acompanhamento em saúde mental, a equipe do Caps i considera a situação integral das famílias atendidas, avaliando possíveis necessidades sociais que impactam diretamente o cuidado com a criança. Em casos de vulnerabilidade financeira, por exemplo, é realizado o encaminhamento para o Centro de Referência em Assistência Social (Cras).

Eduarda destaca que esse trabalho com as famílias é contínuo e exige um olhar ampliado. “Precisamos perceber se a família está passando por vulnerabilidade financeira, fazer contato com o Cras e olhar como um todo. Quando falamos em saúde, também falamos de famílias que, muitas vezes, não têm o que comer ou não conseguem prover o básico”, salienta. Conforme ela aponta, antes mesmo do tratamento clínico, é fundamental garantir condições mínimas do dia a dia, que são simples, mas essenciais, e que nem todas as famílias conseguem assegurar.

Assim como o cuidado com doenças físicas recebem atenção, o mesmo deveria ocorrer com a saúde mental. Eduarda reforça que “assim como a escola é um compromisso que precisa cumprir, bem como vários outros compromisso que temos, ao se tratar de saúde mental deveria ser cobrado com ainda mais importância, colocando o mesmo foco como algo inegociável.

Crianças são o futuro da sociedade e Kelin reforça que “a criança está em uma fase de maturação, se desenvolvendo e aprendendo como se posicionar no mundo. É importante que nessa fase de construção ela esteja bem, que ela este amparada por seus pares. Por isso que é tão importante a saúde mental ser valorizada nessa fase”, conclui.

Da Redação

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