Hanseníase tem cura; preconceito ainda é o maior desafio
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A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma das doenças mais antigas da humanidade, com registros históricos que datam de mais de quatro mil anos em várias culturas, incluindo a Índia, China, Japão e Egito. Silenciosa, ela ataca nervos e pele causando incapacidades físicas se não for tratada. A hanseníase é uma doença infecciosa causada por bactéria e apesar de curável, ela constitui grave problema de saúde pública no país, em razão do número de infectados e diagnóstico tardio.
Muitas pessoas desconhecem que são portadoras do bacilo transmissor e acabam disseminando a enfermidade. Outras vezes, por se considerarem curados, os doentes abandonam o tratamento. Por isso, ela continua sendo um desafio para a saúde pública. A doença ainda carrega o estigma do preconceito. “Embora os avanços, ainda há um certo preconceito da nossa sociedade, preconceito que nasce da interpretação, do desconhecimento das pessoas quanto a própria doença”, comenta o médico e diretor da 20ª Regional de Saúde de Toledo, Fernando Pedrotti.
DESAFIO – Ele cita que outro desafio da doença é em relação ao diagnóstico precoce. “Ela é uma doença importante porque leva a incapacidade. Ela gera lesões em nervos e essas lesões no tecido nervoso geram incapacidade, especialmente, no sentido do caminhar e nas mãos. É uma doença que costuma ser ‘silenciosa’ e antes de ter uma neurite (inflamação), ela apresenta lesões na pele que podem coçar, doer, ou a depender da localização às vezes nem a própria pessoa percebe. Mas na presença de toda e qualquer mancha na pele, a pessoa deve procurar avaliação especializada”.
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Pedrotti enfatiza também que não há grandes dificuldades quanto a identificação da doença porque a rede de saúde conta com exames disponíveis, orientações e acompanhamentos durante o tratamento. “O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a medicação em esquemas terapêuticos eficazes. Normalmente, vão para a referência secundária casos que já tenham um maior grau de incapacidade ou que que necessitem, de fato, de alguma investigação complementar”, esclarece o médico.
REFERÊNCIA – No âmbito da 20ª Regional de Saúde, o Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar) tem o serviço de referência para o tratamento da Hanseníase. Mas o diagnóstico, toda a investigação, o acompanhamento e o tratamento são feitos na Unidade Básica de Saúde (UBS). A doença tem cura e o tratamento é acessível oferecido pelo SUS, mas o preconceito ainda é um desafio.
“Nós só mudamos se tivermos a capacidade de buscar informação e orientação. Hoje nós temos na região a teledermatologia, uma ferramenta importante para auxiliar no diagnóstico e isso também tem sido um fator de auxílio que tem agilizado o acesso e facilitado bastante”, complementa.
No Centro de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Atendimento Especializado (CTA/SAE), do Ciscopar, aproximadamente 300 pacientes com o agravo são acompanhados com maior ou menor frequência a depender da situação.
A coordenadora CTA/SAE-Laboratório, Jéssica Sartor, enfatiza que como a hanseníase é um agravo de diagnóstico, tratamento e acompanhamento na Atenção Primária em Saúde, o CTA/SAE atua enquanto serviço especializado no atendimento das situações mais graves e reacionais, assim como apoio aos municípios consorciados seja no atendimento compartilhado ou na capacitação de profissionais.
“O atendimento no Ciscopar se dá por encaminhamento da Atenção Primária, em casos de recidiva (reaparecimento), incapacidades, reações hansênicas, necessidade de ajuste ou substituição de tratamento”, enfatiza.
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A hanseníase ainda é vista com medo por muitas pessoas. Campanhas como o Janeiro Roxo ajudam a mudar esse cenário e incentivam o diagnóstico precoce e a empatia. Falar sobre hanseníase é falar de saúde e inclusão.
“A hanseníase é considerada uma doença determinada socialmente, com alta correlação com condições de vulnerabilidade, e ainda hoje a falta de conhecimento sobre a transmissão e cura da doença, somado ao preconceito histórico, geram ainda muito prejuízo aos pacientes e a saúde pública como um todo. A informação é a ferramenta mais potente para o enfrentamento do estigma do preconceito; e o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são as formas mais eficazes de caminharmos para a eliminação da doença”, conclui.
Da Redação
TOLEDO