Janeiro Roxo reforça importância do diagnóstico precoce da hanseníase

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A hanseníase segue sendo um desafio de saúde pública no Brasil, uma doença infecciosa que afeta a pele e os nervos e pode gerar incapacidades físicas permanentes se não tratada precocemente. O mês do Janeiro Roxo vem para alertar e conscientizar a respeito da doença. Especialistas reforçam que qualquer alteração na pele deve ser investigada, pois a doença pode se confundir com problemas dermatológicos comuns, como dermatites ou micose.

BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO – De acordo com o Boletim Epidemiológico emitido pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2025, referente ao período de 2014 a 2023, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos de hanseníase, atrás apenas da Índia e à frente da Indonésia, países que juntos concentram 79,3% dos casos novos detectados. Ao longo desse período, foram registrados 309.091 casos, sendo que 80% correspondem a novas notificações, com maior incidência nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.

Em 2023, pelo menos um caso da doença foi registrado em 49,9% dos municípios brasileiros, totalizando 2.777 cidades. Ainda em 2023 foram contabilizados 182.815 novos casos, um aumento de 5% em relação a 2022.

O médico Dr. Claudio Henrique Hayashi explica que a hanseníase pode se manifestar de formas discretas e muitas vezes confundidas com outras doenças de pele. “Ela pode começar com uma mancha na pele, seja ela esbranquiçada, arroxeada, avermelhada ou até escura. Às vezes, as pessoas não dão muita importância a uma manchinha na pele. Elas acabam deixando e a doença vai progredindo e vai alcançando a parte dos nervos, o que afeta a sensibilidade. Com isso, também pode deixar sequelas, como prejudicar a mobilidade ou até a integridade dos membros da parte do corpo que está afetada”, alerta o doutor.

ACOMPANHAMENTO MÉDICO – O acompanhamento médico é essencial para o diagnóstico correto. Segundo Hayashi, “é uma doença que exige que tenha um acompanhamento de um especialista, pois ela precisa ser avaliada, precisa ter um diagnóstico diferencial. Para isso, é feito um exame de cultura ou de biópsia para identificar, são testes bem simples. Eles são feitos até na Unidade Básica de Saúde (UBS). São inclusive realizados testes com materiais como algodão e até agulhas para analisar a perda de sensibilidade na região”. Ele reforça ainda que “qualquer mancha na pele deve ser investigada, seja ela por possibilidade de um câncer de pele ou alguma doença infectocontagiosa. De qualquer forma, a mancha não pode ser menosprezada, ela precisa de investigação”.

PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS – O médico destaca que mesmo procedimentos estéticos, como tratamentos a laser para remoção de manchas, devem ser precedidos de uma avaliação médica. “Por questões estéticas, algumas pessoas estão procurando tratamento à laser para tirar manchas. Mas, precisamos entender o que é essa mancha, antes de tirar precisa investigar através do médico. Ele tem a capacidade de identificar por meio dos testes de sensibilidade. O que a gente precisa identificar é não somente a questão dermatológica, mas também a presença de caroço. Inclusive, a pessoa começa a perder aquela sensibilidade ou não consegue identificar mais o que é frio, o que é quente, às vezes não sente mais, começa a ter calos, lesões, sempre aquela extremidade ou aquela região fica machucada”.

CONTÁGIO – A hanseníase é contagiosa, mas a transmissão pode se dar por meio de contato íntimo e prolongado. De acordo com Hayashi, “é uma doença contagiosa, a qual pode se espalhar através da gotícula, da fala ou então do contato íntimo e persistente, até mesmo ao frequentar lugares com muitas pessoas. Não é somente a pessoa que está transmitindo, mas também estamos suscetíveis através desse acesso ao público que fica concentrado em grandes cidades e em lugares públicos”.

O médico reforça que o diagnóstico precoce e o tratamento imediato são essenciais para evitar incapacidades físicas permanentes e a disseminação da doença. O tratamento, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cura a hanseníase e interrompe a transmissão.

Da Redação

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